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Vínculo e Aprendizagem

Autor: Eleusa Tenório - Psicopedagoga Clínica


O ser humano vive inserido num processo de aprendizagem, desde o seu nascimento até sua morte. Esse processo, ao início sutil, vai se aprimorando cada vez mais e se tornando complexo. Podemos afirmar que a aprendizagem é um processo contínuo em todos os instantes da vida. É um processo natural do organismo: a busca do aprender é inerente ao vivo, é função vital, é energia de vida.
Em nossa prática clínica verificamos pacientes que demonstram uma interrupção ou alteração nesse processo natural de aprendizagem e muitos deles trazem em seu histórico de vida uma dificuldade de vinculação com a figura do ensinante e com o objeto de conhecimento.
A aprendizagem realiza-se através de um tripé vincular: ensinante X aprendente X objeto do conhecimento. Portanto todo aprendizado requer uma situação vincular. Mas o que é vínculo ?
A capacidade vincular, na sua visão mais ampla, é a capacidade de unir-se á vida, às pessoas, à natureza, a todos os acontecimentos que o sujeito experiência:

VÍNCULO É O ELO COM A VIDA.

O aprendizado vincular (maneira como se vincular) dependerá da relação de vínculo da criança com as pessoas que exerceram a função de pais. Essa modalidade de vínculo se repetirá involuntariamente em outras situações e se o vínculo gerado no elo pais X bebê for sintomático, esse processo tenderá a ser patológico em outras situações, em outras tentativas de vinculação.

?...a forte ligação com que desempenha os cuidados maternos proporciona a base para o desenvolvimento emocional, intelectual e social do indivíduo no decorrer de sua vida.?

?Por outro lado, interrupções sérias neste processo produzirão problemas no desenvolvimento social, emocional e intelectual da criança.?
(Aguiomar Rodrigues e Mª Cristina Barbosa, 2003, p.67.)

Portanto a relação vincular desde os primeiros momentos de vida do bebê definirá toda sua estrutura como indivíduo funcionando no mundo e por outro lado a falta de vinculação ou a vinculação sintomática impedirá que a criança mobilize certo nível de pulsão para a aprendizagem, não conseguindo vincular-se com o ensinante, nem com o objeto de conhecimento, e por isso não incorporando o aprender.

BIBLIOGRAFIA
- CHAMAT, Leila Sara José - Relações Vinculares e Aprendizagem, São Paulo, Vetor, 1997.
- HORTELANO, Xavier S. - Contato, Vínculo, separação, Ed. Summus, Saõ paulo, 1997.
-MUNHOZ, Maria Luiza P. (Org) - Questões Familiares em Temas de Psicopedagogia. Cap. VI - Família e a Autorização para Aprender - Aguiomar Rodrigues e Mª Cristina Barbosa. Coleção Temas de psicopedagogia, Livro 7, Ed. Memnon, São Paulo, 2003.
- SARGO, Claudete - O Berço da Aprendizagem:Um estudo a partir da psicologia de Jung. Ed. Ícone, São paulo, 2005.
WAD