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Considerações sobre o Desenvolvimento Emocional

Autor: Lilian Lúcia de Oliveira CRP 06/59372


Introdução
A história de uma pessoa não começa no momento do seu nascimento, mas sim desde sua concepção, em seus genes e células. É claro que essa história também vai sendo construída de acordo com as experiências adquiridas ao longo da vida. É fundamental, portanto, o cuidado com a criança desde o útero até a formação total de seu caráter, o que ocorre no início da adolescência.
Quanto mais energeticamente e emocionalmente livres forem os pais, mais facilmente entenderão a linguagem corporal dos filhos, e mais tranqüilamente se darão os cuidados que levarão a um desenvolvimento emocional completo e saudável da criança.


Etapas do desenvolvimento emocional segundo a Orgonomia *
Para a Orgonomia, o homem é a expressão de uma energia chamada orgone, que se forma no indivíduo desde sua concepção e que, num movimento de pulsação constante se soma a outras energias.
Em cada etapa do desenvolvimento emocional são incorporadas à memória celular do indivíduo as experiências vivenciadas por ele nesta fase, e que, ao final dessas etapas formarão o seu caráter, ou seja, suas atitudes e formas de reagir às situações impostas pelo mundo.
Os acontecimentos que ocorrem durante essas etapas, principalmente os da primeira infância quando ainda não temos condições de nos defender, como stress, privações e frustrações desnecessárias, causam ao caráter marcas e bloqueios profundos e às vezes até irreversíveis, com fixação da energia na fase do desenvolvimento em que ocorreram.

1ª etapa – Sustentação
Inicia-se com a fecundação e vai até o nascimento.
O útero, por ser o primeiro ambiente da criança, deve ser acolhedor, nutrindo e sustentando o bebê, não apenas fisiologicamente, mas também emocional e energeticamente. Atualmente sabe-se que o feto reage a estímulos sensoriais e que é capaz de sentir aquilo que sua mãe sente. Stress, angústia ou outro tipo de sentimento negativo sentido pela mãe, além do uso de drogas e álcool, pode alterar todo o processo, causando danos sérios e impedindo o desenvolvimento físico, energético e emocional normal a esta fase.

2ª etapa - Incorporação
Inicia-se com o nascimento e vai até a fase de desmame.
Nesta etapa o bebê introjeta o mundo externo, desde o leite materno e o seio de sua mãe, até seus cuidados, seu carinho, seu olhar, seu cheiro e até sua pele. É importante, nessa fase, alimentar o bebê de acordo com suas próprias necessidades, demonstradas principalmente através do choro, e não de acordo com o que a mãe acha correto. Impor limites nessa fase pode prejudicar o desenvolvimento energético e emocional normal do bebê.
Quase ao final dessa etapa, já próximo ao desmame, a criança começa a perceber que ela e a mãe não são uma só pessoa, e se inicia aí, gradativamente, a exploração do ambiente externo e das outras pessoas que estão a sua volta.

3ª etapa - Produção
Inicia-se com o desmame e vai aproximadamente até o final do 3º ano de vida.
Toda a energia da criança nessa fase está voltada para a produção e construção de pensamentos, brincadeiras, jogos e para o relacionamento com o ambiente e com as pessoas, reforçando suas recém-conquistadas autoconsciência e autonomia, além da importância que ela dá a produção de fezes e urina. Assim, o controle dos esfíncteres não deve ocorrer antes que a criança esteja preparada, o que ocorre por volta dos 18 meses de idade.
Nessa etapa deve-se iniciar a colocação de limites e a imposição do “não”, mas sempre de forma a não puni-la ou frustrá-la desnecessariamente, não tolhendo a sua liberdade ou espontaneidade. Limites e frustrações em excesso ou de forma inadequada nessa etapa, podem causar danos irreparáveis ao caráter em formação.
É também nessa fase que a criança começa a imitar, principalmente os pais, em busca de modelos.

4ª etapa – Identificação
Inicia-se aos 4 anos e vai até os 5 ou 6 anos de idade.
Nessa etapa a criança desenvolve várias conquistas pessoais importantes para seu desenvolvimento: sai da individualidade e do egocentrismo para o compartilhar e para a socialização; desenvolve a capacidade de simbolização e também de classificação; inicia o aprendizado de disciplina e organização e começa a entender e incorporar os conceitos de “certo” e “errado”.
Importante também nessa fase é o desenvolvimento do autoconceito, sendo capaz de distinguir as diferenças entre os sexos, identificando a qual deles pertence. Surge a curiosidade sexual e a masturbação, que devem ser tratadas com naturalidade e sem punições.

5ª etapa – Formação do caráter
Inicia-se aos 5 ou 6 anos e se estende até a puberdade.
É a fase em que se inicia a escolarização e a alfabetização propriamente ditas. A atitude dos pais e educadores nessa etapa é que vai determinar a forma da criança lidar com o aprendizado em diferentes situações e por toda a sua vida, sentindo o mesmo como um prazer ou uma obrigação.
A flexibilidade e a criatividade para lidar com diferentes problemas também aparecem nessa fase, e um ambiente desafiador e interessante facilita o desenvolvimento dessas habilidades.
É durante esse período que devem ser dadas às crianças noções de responsabilidade para que possam, aos poucos, se tornar mais independentes dos pais.
A auto-estima também se desenvolve nesse período, quando a criança passa a ter consciência de seu valor para si mesma e para os outros. Distorções na imagem que a criança faz de si podem prejudicar, e muito, a formação de seu caráter.
Nessa etapa final do desenvolvimento emocional é que se completa a formação básica da estrutura de caráter de uma pessoa.

* classificação baseada em VOLPI e VOLPI (2002)

Para encerrar, uma mensagem aos pais e educadores: A mente pode esquecer, mas o corpo nunca esquece o que sentiu. Reflitam!




BIBLIOGRAFIA
REICH, W. Criança do futuro. Tradução de Eleusa Maria Passos Tenório. Maceió: Espaço Wilhelm Reich, 2003.
_________. Análise do caráter. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 1995.
VOLPI, J.H. e VOLPI, S.M. Crescer é uma aventura! Desenvolvimento emocional segundo a psicologia corporal. Curitiba: Centro Reichiano, 2002.

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