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O Brincar e a Educação Auto-reguladora

Autor: Lilian Lúcia de Oliveira


É na infância que nos programamos para a vida adulta. Carregamos conosco medos, críticas, inseguranças, desconfianças, etc, que determinam nossa maneira de ser e de agir como adultos. Essas sensações se impregnaram em nossas mentes, corações e também em nossos corpos. Com isso nos encouraçamos e esquecemos de nossa essência. Esses mecanismos de defesa nos dão uma falsa idéia de segurança, nos afastando do mundo real, e às vezes até de nós mesmos. Assim não damos espaço para a espontaneidade e para o bem-estar em nossas vidas.
E se não estivermos atentos, a tendência natural é que introjetemos em nossas crianças as mesmas programações que herdamos de nossos pais, transformando-as desde cedo em seres rígidos, tensos e manipulados, não restando espaço para o prazer de ser verdadeiramente criança. É aí que reside a necessidade de revermos nossos conceitos em relação ao que é realmente educar.
Por não podermos ou não querermos dar atenção aos nossos filhos, muitas vezes os sobrecarregamos de atividades, compromissos, cursos, etc, não sobrando tempo para o brincar espontâneo e verdadeiro, que inclui a obtenção de prazer, de bem-estar e de alegria.
A criança gosta e quer conhecer o mundo com e através de seu corpo e de seus sentidos, mas cada vez mais impedimos que isso aconteça por acharmos que não é um comportamento adequadamente aceito pela sociedade.
O brinquedo é a forma de auto-expressão da criança, onde projeta suas fantasias e onde pode re-vivenciar situações que para ela foram traumáticas, traduzindo-as para si mesma e elaborando essas situações. É com o brincar que essa criança organiza seu universo interior, seus problemas, dúvidas e conflitos, coisas que muitas vezes não consegue expressar de outra forma. Também nas brincadeiras ela imita a vida adulta, “ensaiando” através de jogos e encenações a vida que terá no futuro. Restringir seu brincar impede, na maioria das vezes esse trabalho interior e consequentemente trará problemas ao seu desenvolvimento, tornando-a um adulto neurótico e encouraçado.
Também a auto-valorização e a auto-regulação permitem o desenvolvimento saudável da criança. Isto não significa negligenciá-la e não impor nenhum limite, mas aprender a respeitar os limites que muitas vezes a criança sabe impor a si mesma sem que os pais precisem interferir, fazendo-o somente quando realmente for preciso. Devemos deixar simplesmente a criança experimentar “ser” no mundo da forma e do jeito dela.
A autoridade é necessária e os limites também. Mas sempre com amor, diálogo e respeito. Não podemos ter medo de dizer não, desde que seja verdadeiramente necessário. Firmeza sim, imposição e autoritarismo não! Para isso o diálogo entre pais e filhos é fundamental.
É importante que a criança perceba que estamos ao seu lado quando ela precisar, mas nunca impondo nossa vontade sem nem sequer deixá-la questionar o porque dessa ou daquela atitude que tomamos em relação à sua vida.Lembre-se de que os problemas dela por menor que possam nos parecer, tem a mesma dimensão emocional que os “grandes” problemas que enfrentamos em nosso dia-a-dia.
O respeito também deve ser a base do relacionamento com nossas crianças. Ela precisa saber que é aceita como realmente é: como uma criança. Valorizando-a estamos promovendo também sua auto-valorização. Se acreditarmos em seu potencial ela também acreditará em si mesma, crescendo como um ser saudável, desencouraçado, auto-regulado e pronto para a vida!



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