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A carência nossa de cada dia

Autor: Márcia Helena de Oliveira CRP06/4674



Na opinião popular, o doente mental é o autor de atos malucos, totalmente gratuitos que muitas vezes encerram violência para com os demais. Mas afinal, de onde vem esse homem com essa lógica estranha?

Antes de mais nada ele nasceu numa família e lá aprendeu a se relacionar. Então examinemos essa família, supondo que ela seja diferente da maioria das outras famílias.

Em primeiro lugar, percebemos que na família do doente mental as leis que regulam as experiências e que determinam o que é e o que não é permitido para essa criança são confusas. Então, como a criança depende e sabe que depende para sobreviver de ser aceita pelas pessoas que cuidam dela (seus pais ou aqueles que desempenham essa função) ela tenta cumprir essas leis mas não consegue, porque não consegue saber quais são essas leis. Elas não são claras e até mesmo são antagônicas. Então, essas pessoas ficam fixadas nessa etapa de suas vidas: a da necessidade da aceitação, e assim, não conseguem passar para a próxima etapa: a da formação da individualidade que conduz à auto realização.

primeira etapa : necessidade de aceitação
Segunda etapa: auto realização

Numa dimensão menos grave a pessoa consegue passar para a segunda etapa, mas o faz apenas parcialmente. Uma parte da sua estrutura emocional segue pela vida buscando nos relacionamentos atuais aquela aceitação que não conseguiu obter da família original, e aí o propósito da auto realização fica prejudicado, porque apenas uma parte da estrutura psíquica está de fato comprometida com isto, enquanto a outra permanece fixada na busca primária da aceitação, do reconhecimento, da necessidade de ser cuidada, protegida, amparada e ainda aprovada, elogiada e aplaudida. Na verdade, legamos ao outro o poder de nos validar ou não, e para tal fazemos qualquer coisa como anular nossos sonhos, esquecer nossos talentos, ou nos colocar à margem da nossa vida, sendo coadjuvantes na nossa própria história.


BIBLIOGRAFIA
BIBLIOGRAFIA
- COOPER, David, Psiquiatria e Antipsiquiatria. Editora Perspectiva, São Paulo/SP,2ª edição, 1989.
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