Sábado

18.NOV

BOA TARDE



Helena Rodrigues - membro da SPV - Tempo
O tempo passa.../ passa rápido ou ... lento/ sem alento as vêzes,/ atropelando quem vai devagar./ As vêzes queremos acelerar o tempo,/ pra chegar a hora desejada/ de um bom momento,/ mas justamente aí ele demora,/ anda devagar, se acomoda/ e a hora esperada tarda, parece que não chega./ Mas existe também um outro tempo,/ diferente deste,/ que chega, fica, não vai embora, demora, se arrasta e fragiliza./ É o tempo da dor que apresiona; às vêzes pra sempre;/ e a gente fica refém feito soldado amarrado/ com sonho guardado, esperando pra ser feliz mais tarde./ E assim fui aprendendo/ às vêzes sofrendo, às vêzes não/ Às vezes sorrindo, insistindo/ a fazer pacto com a dor/ pra ela doer mais tarde/ ficar quieta, aguardar sem alarde./ E cada vez que a dor esquece nosso acordo e aparece,/ assim qual visita indesejada,/ me lembro que tenho escolha, me arrumo, me componho, me aprumo,/ escolho outro sonho e sigo obstinada,/ não dando tempo dela se instalar./ Talvez só um pouco,/ O necessário apenas pra eu saber que doeu/ mas não o suficiente pra ela me derrubar./ É assim que lido com o tempo,/ não sei se ele é veloz,/ não sei se ele é lento,/ o que sei é que tenho escolha,/ posso encurtá-lo, posso aumentá-lo, esticá-lo,/ imagine! posso até ignorá-lo/ e fazer do meu momento/ o que quiser:/ pleno, louco, fugaz, pequeno, terno, eterno, amigo, instigante./ Eu escolho, eu componho, e vou adiante,/ou recuo, avalio, decido:/ sigo ou não sigo, paro ou não paro!

WAD